19 de nov de 2016

De novembro a novembro...

Você vai ver que o tempo não muda nada, nada
Nada, nada
Eu tô aí, mesmo sem estar...  ♪


Outro dia estávamos falando sobre o que é verdadeiro e alguns amigos defendiam que só é verdadeiro aquilo que permanece. Se foi embora, se não ocupa o mesmo espaço físico, não é real.  
Eu ouvi em silêncio, pensando em tudo que a vida leva, tantas coisas que a vida arranca de nós e mesmo assim é tão real hoje, como foi no primeiro dia, do primeiro novembro, do resto das nossas vidas.
E no meu coração tenho hoje a mesma certeza daquele primeiro dia:
Se nos faz cantar numa fila de banco, se nos faz rir fora de hora e olhar as coisas de um jeito novo, se nos descompassa os passos e desalinha as ideias de um jeito perfeitamente alinhado e se nos dá significado e sentido, então... isso, isso que nos coloca no mapa do universo e que ninguém mais entende, isso que nos faz respirar com mais vontade e inspirar com tanta paixão que os pulmões se enchem de vida... Isso é real! É verdadeiro!
Ainda que permaneça guardado, ainda que seja uma pluma ao vento flutuando pela imensidão, ainda que o mundo imploda, os astros desabem e o mar seque inteiro... É verdadeiro!
Aquele que adentrou nos recônditos da alma alheia e ali permanece, aquém de distância, aquém do tempo e dos muitos dogmas, normas e crenças terrenas, é, indiscutivelmente, real.
Poetas escreverão poemas e músicos farão canções pelos quatro cantos dessa Terra à esse sentimento, que faz de nós mais que simples matéria. Já não somos mais simples pó de estrela, somos amor. De novembro a novembro, até o fim dos tempos... Amor.


4 comentários:

  1. Aprendi com um amigo a procurar os detalhes. Estou achando que o detalhe nesse trecho lindão que você escreveu é o tempo do verbo. É tanta coisa que fez ou faz uma situação em nossa vida, que cada detalhe diz uma coisa. Olha, o que você escreveu no texto foi real. Não é real, foi. O relacionamento foi real. O que a pessoa sentiu foi ou não real. Só ela sabe. Se a vida a separou, o sentimento dela é real. Mas se ela se separou, o sentimento dela foi ou não real. O que você sente é real. Para você ter outro sentimento, terá que dizer um dia que esse sentimento foi real. Se você não conseguir dizer isso, é porque o seu sentimento pela outra pessoa não é real. Valeu? Beijo

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    Respostas
    1. Entendi. Mas penso que o amor é mais uma questão de fé que de realidades rs Vc acredita porque tem fé. Ou desacredita porque não tem fé. E se vc tem fé é real (pra si mesmo, ao menos)
      Não há uma ciência exata nisso. Só o fio poético do sonho que segue a linha do etéreo.
      Essa sempre foi minha dificuldade na vida, quando alguém chegava e dizia: Juliana, se explique!
      E eu explicava, mas pouquissimos entendiam kkk Porque não sou linear e por vezes a explicação não era satisfatória.
      Mas vc, vc eu leio e entendo sempre. Tuas ideias são claras, o teu pensamento é coerente. Deve ser apaziguador ser tão coerente rsrsrs

      Beijo

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    2. Eu entendi você, e gostei muito. Pode ser esse negócio aí, apaziguador, ser coerente. Mas não é tão bonito como ser difícil de entender. A beleza está no seu pensamento desapaziguador, que eu espero que exista! Beijo

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  2. oi Juliana, achei bem legal o seu texto. É interessante como a gente faz descobertas a cerca de nós mesmos quando defendemos um ponto de vista. E se muitas vezes não sabemos explicar direito o que pensamos sobre determinado assunto é porque ele se move dentro de nós e se modifica e se altera de acordo com o nosso amadurecimento. Significa pra você de um jeito muito particular. Qualquer coisa que seja. E por isso mesmo sendo invisível aos olhos alheios, é real, é concreto, é verdadeiro...porque tocou você de um modo especial. Acho que tem sentimentos difíceis mesmo de explicar em palavras. E talvez eles sejam especiais exatamente por isso...porque são seus, só seus... de um jeito que só você compreende.

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