5 de jun de 2016

E vamos dando adeus aos poucos pra que a dor não nos devaste



Já dizia um velho amigo, bardo e cretino: toda história para ser completa tem que ter um final. O nosso chegou em um domingo a tarde.
Lembro da sensação de perder o chão e do vazio que me acompanhou. Você partiu e eu fiquei na estação da vida esperando o trem voltar. Você voltar...
Poderia caber numa caixa os momentos que tivemos juntos. Não, não foi uma vida com abraços voltando do trabalho ou sexo no chuveiro escondido das crianças. 
Não tivemos os cafés da manhã na cama aos domingos, as risadas no sofá vendo toda leva de filmes da Marvel, nem nossas mãos unidas em qualquer lugar... 
Longe de tudo isso nossa história acabou com quilômetros e quilômetros de distância entre nós. Com lágrimas e livros e livros de tentativas frustradas de impedir que um ponto final engolisse nossas reticências.  
Como disse o Pessoa: "É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos"
Agora eu estou saindo da estação e aceitando que você não vai voltar. Mais que isso: aceitando que eu também devo partir.
Eu nem sei como será sem você, me habituei a te ter nos pensamentos desde o momento em que abro os olhos pela manhã, até o momento em que os torno a fechar a noite.
Sabe? Nossa história pode não ter sido um livro infinito, mas foi o conto mais lindo que alguém sonhou.
Você era minha casa. O meu lugar seguro do frio, o dono do meu coração e da melhor e pior parte de mim. 
E agora? Bom, talvez eu vire uma "pessoa normal". Dessas que não vive, meramente existe.
Qualquer coisa pode acontecer... 
Exceto eu voltar pra casa.
Exceto voltar pra você.







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