29 de mai de 2016

Dos muitos nadas que preenchem meu ser


É fácil não lembrar dos teus olhos. 
Quando penso que nunca quis nada semelhante e em um instante minha vida estava virada do avesso, fica fácil. Ou lembrar tua voz, na verdade, acho que já esqueci. Assim como o som do teu riso, do teu canto... Não ouço mais.
Mesmo tendo falado com você esses dias, não é a mesma voz, nem os mesmos olhos ou o som de riso.
O rio mudou, nós também. 
Parece que foi ontem que eu tinha estrelas no meu peito, e cada partezinha do meu ser se sentia viva só pela tua existência.
Achei sim, uma piada estranha do universo nos colocar tão longe e em vidas tão distintas.
Eu te procurei no oceano e nas estrelas, eu te chamei pelo vento, eu te pintei com meus sonhos. 
E te amei... Tanto quanto foi possível amar alguém e do jeito mais bonito. Quis que fosse pássaro que voa livre e pousa quando quer.
Quis que fosse feliz com aquela felicidade das coisas cotidianas. Eu quis que amasse e amado fosse, ainda que não por mim.
Eu pedi a Deus por você em minhas orações e te desejei saúde, sucesso e paz.
E fui preenchendo o vazio que você deixou com flores, com coisas velhas, novas e ilusões. 
Tentei cair, mas minhas asas não deixaram, (esse deve ser o mal de quem sabe voar). 
Tentei ser outra pessoa, de outro jeito, mas o interior quem consegue mudar? 
Das várias versões de mim a que menos gostei foi aquela na qual eu não sentia nada. Nem pelos que chegavam, nem por aqueles que partiam.
Muralhas foram erguidas e só Deus sabe como consegui respirar dentro delas. 
Consegui. Sou, acima de qualquer coisa, uma sobrevivente. "Água que acha jeito", sou árvore que ventania nenhuma arranca da terra. 
Eu sobrevivi ao engano, as mentiras, a dor e a saudade. Eu vivi os 5 estágios do luto até chegar a aceitação. 
E a aceitação é essa: eu estou esquecendo você.
Uma parte de mim sempre irá amá-lo com cada célula do meu ser, ainda quero que seja feliz e tenha árvores barcos para navegar nessa vida até cansar.
Mas sabe a parte que me faz respirar, comer, a parte que me faz sorrir quando vejo uma criança brincar, ou poetizar quando me deleito com o pôr do sol? Essa parte... Essa parte não me deixa mais pensar, sentir, lembrar... 
Essa parte diz que a canção cessou nos quatro cantos da Terra. 
Sem dança e cachoeiras, sem mãos dadas na grama. Sem beijo de adeus. 
Emudeceu o encanto puro e em seu lugar um estrondante ecoar vazio preenche de nadas o meu ser.
Sou um ser de muitos vazios e penosos silêncios. Todavia, sou... E continuarei sendo infinitamente, até    que pó de estrela eu torne a ser.  

Um comentário:

  1. Triste despedida e chegando à aceitação! Bela resolução:continuar a viver! beijos, tudo de bom,chica

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