16 de mai de 2014

Sobre as palavras, meu alívio imediato

 Baste a quem baste o que lhe basta O bastante de lhe bastar! A vida é breve, a alma é vasta; Ter é tardar.- Fernando Pessoa

Uma palavra. Tudo que preciso é escrever “uma palavra” e então as outras sairão desenfreadas de dentro de mim. Como ratinhos correndo. Sempre foi assim, desde que aprendi a juntar as letras.  Há pessoas que tem terapeutas, há pessoas que tem zilhões de amigos, há pessoas que tem rivotril. Eu tenho o que escrevo.
Quando meu coração tá sufocado e a minha alma chorando. Eu sei que tenho que correr pra o papel mais próximo, o teclado mais próximo. E escrever. Simples assim.
E aí disserto sobre as minhas ideias mais tolas e profundas. Choro. Medito e me consolo. Não espero que um dia vá sentar em uma das cadeiras da academia de letras. Sei que não vou ser recordista de vendas em livros e que muitas pessoas não vão achar digno ou bom o suficiente o que escrevo.
Muitas vezes não há quem entenda nossa maneira de ver o mundo. Chamam de drama. Bobagens. Lentes de aumento, o que eu chamo de “ser”. Muitas vezes tenho essa sensação de ser visitante desse mundo, observo as coisas como num filme, vejo as reações, ora fria, ora agressiva das pessoas e me espanto.Porque o que eu vejo é uma vida breve. Tão breve que tomo como um milagre tá respirando ainda. 
Acidentes acontecem. Doenças acontecem. Tragédias acontecem e as pessoas continuam vivendo como se tivessem toda eternidade dentro dessa nossa vida breve. Como se pudessem adiar viver. Como se pudessem deixar pra amanhã perdoar quem magoou, dá atenção pra pessoa amada, ser feliz...
Há um código silencioso nessa sociedade estupida que diz que desde que você obedeça as regras morais, você pode ser infeliz o quanto quiser.
E eu senti essa vontade imensa de escrever que hoje eu estou terrivelmente triste. Que odeio o fato de que às vezes a vida parece estática, como se a vida de todo mundo estivesse em movimento menos a minha.
Odeio o fato de ver pessoas que eu amo brigando num loop infinito. Odeio que amigos deixem de ser amigos. Ou que chorar seja um crime hediondo, mas fazer chorar está perdoado “porque as pessoas tem que aprender a serem fortes”. Odeio os sequestros da morte. E me preocupo que eu seja a próxima e não vá ter feito nada de bom ou interessante nesse mundo além de deixar essas parcas palavras.
A gente devia viver como quem sonha. Fazer mais coisas, amar melhor...  Sei que a vida pode ser uma droga, e o meu coração pode ser trocentas vezes partido por pessoas que amo. Posso ser esquecida. Posso ser magoada. Posso nem ser beijada... E no livro da minha vida, posso não ficar com o mocinho no final. Eu posso não ser astronauta como pensei que seria aos 5. Pode ser que eu não faça nada grandioso e que minha existência não mude a vida de absolutamente ninguém.
Não importa! Nada disso importa agora, quando eu fecho os meus olhos e inspiro esse ar. Eu estou viva! Eu posso sentir meu coração pulsando aqui dentro e não há nada mais extraordinário que isso. Não há decepção, abandono, ou dor de perda que mude o fato de que tudo que eu quero é continuar respirando.
Eu sou uma sobrevivente. E não aceito ser mais uma observadora desse filme triste. Eu me recuso a abandonar aquilo que acredito. Se eu estou triste eu vou sentir, chorar, e não há absolutamente ninguém que me roube o direito de sofrer o que tiver que sofrer. Ilusões farmacêuticas não vão roubar o que sinto.
Todavia, depois que eu chorar tudo e escrever tudo que tiver pra escrever eu vou levantar e seguir em frente. Fazer o meu melhor com tudo que sou.
Eu me recuso a sentar e assistir. Eu não vou amar menos. Ou sentir menos. Não vou viver apenas de regras sociais e normas eternas. 
Nem santa, nem louca. Eu não sou isso ou aquilo. Sou essa pessoa que faz rir e que chamam de louca, louquinha, louquinha... Mas também sou a que ouve e dá conselhos nos momentos difíceis, a que usa a lógica pra solucionar os problemas e estende a mão.
Encontro graça nas coisas mais normais, na rotina, mas também nas coisas mais complicadas e tortas. Choro por motivos “choráveis”, mas também choro quando meu seriado de TV não vai bem.  Sim eu leio Foucaut, mas também leio livro de banca e encontro coisas bonitas e boas em ambos.
Eu sou ao mesmo tempo terra, fogo e ar. Não sou uma coisa só. Nem tampouco uma metade qualquer, sou um ser com defeitos e qualidades. Excessiva! Dramática? Posso ser... Mas sou autentica. Posso não ser grandiosa, mas nunca vou desistir do direito de ser eu mesma.
Ah avezinha, essa vida é curta, curta! Um sopro no vento. Um pedacinho de nada do universo. Faz teu voo ainda que solitário entre as nuvens desse céu, segue em frente o teu caminho e faz teu voo. Faz teu voo.

2 comentários:

  1. Pasma!! Que texto incrível! Pode crer que estarei entre as pessoas que acham sua escrita digna!
    Dei risada com o seu ''Eu não sou isto ou aquilo'', pois lembrei das tantas vezes que li Cecília Meireles com ''Ou Isto ou Aquilo'' quando pequena. Adorei essa diferença de opiniões!

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  2. Gostei bastante do seu texto e super apoio essa sua iniciativa para a escrita
    Sucesso

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com

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