16 de set de 2016

Desprende-te


Abre a janela ,alma! Voa para a imensidão e além,
Parta das prisões do tempo, que te mantém aquém.
Conjuga teu novo verbo e usa-o até puir.
Abre a janela ,alma, teu verbo agora é transgredir!

Salta da ponte, alma!Sêde o inverso e o reverso,
Impulsiona tua coragem em direção ao universo.
Faze das brancas nuvens teu assento,
Salta da ponte, alma, teu solo agora é o vento!

Mergulha no mar da vida, alma!Nade profundamente.
Jogue-se no sorvedouro  das águas imprudentes,
Flutua no infinito já sem nenhum medo.
Mergulha no mar da vida ,alma, mergulha que ainda é cedo!

Aquele teu último engano foi a chave que te abriu,
E aquela lágrima furtiva foi a ultima que caiu.
Tens agora, alma minha, o nome desejado: liberdade...
Medida unicamente pelo tempo e o limite da tua vontade!



Originalmente escrito por mim em
21/03/2010

15 de set de 2016

eDe

Há momentos em que a gravidade parece agir forte, tanto e tão intensamente que quase posso sentir a força nos arrastando. Então percebo que talvez ­― só talvez ― eu tenha mesmo perdido a razão. É preciso aceitar que não há gravidade nesse caso. Que nunca houve nada.

Quer dizer, até houve. Mas foi tudo conjugado no singular. Sentido no singular.

Eu tenho ouvido home.  O que a gente não faz pra proteger as pessoas que ama... O que a gente não diz pra que elas sejam felizes, mesmo que longe...

É complicado porque o tempo embaralha as coisas, há um tempo que nem dá pra saber o que é mito, o que é história, o que é real. As vezes tudo só parece um sonho bem distante.
Tenho cumprido as promessas. Isso é para além da eternidade. É algo que permanece. Claro, as vezes sou assombrada com a voz do aeroporto e quase quebro meu voto todos os dias o odiando por alguns instantes. Mas não se pode negar a existência de algo muito maior que nossa frágil mortalidade. Então segue novembro. E todos os meses são novembro. Pra mim.

14 de set de 2016

Dom de afastar

Ele: Eu tenho um dom, eu afasto as pessoas que me ama.
Ela: Isso nunca vai acontecer comigo. Eu vou ficar. Sempre estarei aqui.

Algum tempo depois...

Ela: Você me afastou tanto e de tantas formas, que ainda se eu quisesse ficar perto, não poderia. E eu não quero mais! Eu não posso querer. Porque se eu ficar perto eu vou acabar te odiando de verdade. E eu te amo. Eu te amo tanto! Com um amor vivo, com um amor grande, um amor sincero. E não posso nem quero deixar de te amar.
Ele: Faça o que achar melhor.
Ela: Você tem um dom. Você afasta as pessoas que te ama.
Ele: Eu sei
Ela: Agora eu também sei.

12 de set de 2016

Por um mundo em que seja mais fácil gostar das pessoas que querer fugir delas



Desde pequena dizem que eu sou louca. Ou uma variação mais simpática, "dramática".
É muita loucura você gostar de uma pessoa e falar isso pra ela. E não, eu não estou falando romanticamente, porque nisso sou a pessoa mais medrosa e tímida do planeta. Se a pessoa não dê o primeiro passo eu finco os meus pés. 
Não. Eu falo de gostar de uma pessoa mesmo. Sabe? De um amigo, um professor, um vizinho, da atendente da padaria, do vigia do prédio, dos nossos irmãos, dos nossos pais...
Desde criança me parece simples que se alguém conquista minha afeição eu diga: "Ei, gosto de você!".
Quando se é criança é fofo. Você é uma criança meiga! Mas quando a gente cresce a cara de espanto que fazem quando escutam algo assim... (risos).
Acho que fazem de propósito. Deve ter um tratado secreto: Transformem todos em adultos frios. 
E como eu me recuso a ser igual... Sigo doida! Doidinha.
É loucura abraçar quem a gente gosta. É quase criminoso! 
E dizer que ama alguém? Bom, aí depende, se for casualmente como um "bom dia" banal, hoje é aceitável. Mas se for em uma conversa franca, olhando nos olhos de alguém, a pessoa sai correndo, isso se não criar asas e conseguir voar.
O normal, normal mesmo, é não abrir o coração, é não se sentir seguro e disposto a ceder um pouco de intimidade.
Não sou totalmente doida não, (infelizmente) eu cresci, sou oficialmente uma adulta. 
Quem dera eu não tivesse crescido e aprendido que nem sempre é possível confiar. Que é preciso fugir de algumas pessoas e dificultar o acesso. 
Confesso que hoje demoro mais a abrir minhas portas, ceder terreno. 
Acho até que construí dificuldades suficientes para que cheguem ao meu coração.
Há muros altos, poços com crocodilos e muitas armadilhas para fazer a pessoa desistir de chegar perto. 
A D U L T A. Aprendi a me proteger. No entanto, se apesar de tudo isso chegam ao meu coração, se acham uma brecha e ganham minha simpatia ou parecem ter alguma coisa que faça brotar afeto em mim... Então volto a ser criança. Dramática e louca. 
E eu falo que gosto. Falo porque essa vida é uma linha fininha que a qualquer momento se rompe. E o ser vivo que conseguiu ganhar o meu afeto precisa saber que é possuidor dele,  enquanto eu ainda existo pra dizer.