9 de mai de 2016

Amor insuficiente.

Lembro que quando criança perguntei a minha mãe se o amor existia e ela me respondeu:
 “-Amor? Amor até existe, mas não é suficiente. Tenta viver de amor, comer amor. Vestir amor. Amor é um luxo desnecessário.” 


Eu te amo profundamente
De um jeito que nem eu entendo.
Pena se você não  sente.
Pena se não está vendo.

Eu te amei em alto mar
Quando a outra pertencia.
Desde o primeiro olhar,
Desde o primeiro dia.

Eu te amei na tua luta
Por esse meu coração.
Quando ganhaste a disputa,
Meu respeito e afeição .

Eu te amei quando escondia
Quem de fato você era.
Quando em meio à fantasia
Era mais anjo que fera.

Eu te amei quando caístes
Apesar da minha fé.
E sem pensar me traístes,
Com mais de uma mulher.

Eu te amei no abandono
Na frieza e em meio à dor.
Querendo que fosse meu dono
Suplicando o teu amor.

Eu te amei na presença
Tocando braços e mãos.
E mais amei na ausência
Ignorando a razão.

Eu te amei de tantas formas
Que nem posso mensurar.
Esquecendo leis e normas
E mais amor queria dar.

Mas viver de amor é impossível.
É como semear uma estrela
Num céu de solo sensível
Com nuvens a escondê-la.

E mesmo ainda te amando
Esse tanto que eu te amo,
Devolves a mim o comando
Não ouvindo que te chamo.

Meu amor não foi bastante
Para te fazer me amar
E agora eu sigo distante
Sem nenhum luxo esperar.




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2 de mai de 2016

Mais uma noite sem dormir



Olhos abertos procurando lembranças, ontem mesmo ouvi a tua voz me chamando no escuro.
Eu me perco contando pensamentos.
Onde você estará? 
Que bocas resolveu beijar?
Será que pensa em mim? 
Consegue dormir a noite?
Temo que nunca mais eu consiga. 
Quando você partiu levou meu sono mais tranquilo. Meu sonho mais bonito.
Tenho andado em círculos desde então. Sempre voltando para o abismo silencioso da tua ausência.
O vazio que você deixou ocupa espaço demais aqui dentro. Galga meus recônditos secretos, rouba partes importantes de mim.
A cada dia vejo menos minha essência e mais a tua falta. Essa enorme projeção do nada que alimenta o monstro da minha insônia.
E eu só queria dormir... Só dormir.

30 de abr de 2016

Sobre adeus sem despedida...



Quando eu tinha 8 anos o avô de uma das minhas melhores amigas faleceu e eles resolveram se mudar para longe. Outro estado, à kms de distância, e eu senti a impotência de não poder manter sempre perto alguém que amava.
Lembro que na véspera, eu estava chorando no telhado do hotel dos meus pais. (Costumava subir lá para escrever, brincar e pensar).
Nessa noite eu estava com tanta raiva, queria ficar sozinha, eu a odiava por ir embora, eu a odiava tanto!
Elisa era 3 anos mais velha que eu e sempre falava a coisa certa. As vezes eu até pensava que ela era adulta. 
Ela sentou ao meu lado e perguntou porque eu estava chorando. Falei alguma grosseria e passamos um tempo em silêncio. Até ela dizer que tinha escrito uma carta para mim.  Eu disse que não queria carta nenhuma. Que não aceitava que estivesse tão feliz por ir embora.
Então, ela abriu a carta  e começou a ler em voz alta. A carta dizia que quando ela chegou a cidade, estava bem triste, tinha sido difícil deixar os amigos, a escola... Porém, o avô já sabia que estava doente e queria morrer no lugar que nasceu e cresceu. Falou que foi um ano difícil, cheio de procedimentos médicos e medo. E as únicas coisas boas tinham sido que a casa onde ela morava era perto do hotel dos meus pais e que estudávamos na mesma escola.
Que me conhecer tinha mudado tudo. Que não ia me esquecer no caminho mesmo que o tempo passasse, falou de muitas formas o quanto eu era importante para ela e lembro como se fosse hoje, ao fim disse que sabia que não podia me levar consigo, mas me levava no coração. 
Depois de ler, pediu para eu estar às 8 em ponto no outro dia para nos despedirmos e trocarmos os endereços por escrito. Eu concordei mais animada.
O que acontece é que eu sempre tive os pais mais ocupados do mundo e eles foram para o hotel sem mim. Quando a babá me acordou já eram 10horas, eu até pedi para alguém me deixar lá antes de ir para escola, mas já não havia ninguém. Só uma casa vazia. 
Minha mãe disse que era besteira e riu porque eu não parava de chorar... Mandou eu comer tudo ir para escola. Na escola eu lia e relia a carta e pensava que nunca mais a veria. Fui até o banheiro e quando voltei a carta também tinha sumido. Só ficaram as palavras no meu coração.
Nunca mais eu soube da minha amiga de infância. Sei que ela era especial e pessoas assim só melhoram com o tempo. 
Por causa dela não consigo deixar ninguém ir embora sem me despedir. Corro para rodoviárias, aeroportos, cartas, telefonemas. Parece que em cada abraço, abraço minha amiga de infância e digo a ela:
- Eu queria ter ido! Eu queria muito! 
Confesso que cada despedida ao longo dos meus anos foi mais decepcionante que a outra. Palavras desencontradas, momentos confusos...
A verdade é que não há um jeito bom de dizer adeus a alguém. 
Eu não me despedi do meu pai, a última vez que o vi estava atrasada para escola e ele saindo dentro de uma ambulância para o hospital. Eu disse:
- Vou ficar
E ele respondeu,
-Não! Vá estudar. Vá para escola. 
E eu fui, porque achei que o veria de novo mais tarde, ou no outro dia. Contudo, foi a última vez. 
Eu queria ter ficado! Eu queria ter dito muitas coisas e me despedido... 
O que eu pude fazer foi juntar o máximo de lembranças e criar uma carta mental, para nunca esquecer.
A vida real não é como um livro com início, meio e fim. Na vida real você encontra um amigo na rua e diz:
- Ei, precisamos marcar de sair!
-Sim! Vamos marcar...
E esse dia não chega, o amigo se vai. 
Não é como nos filmes, não dá para planejar o melhor jeito de dizer adeus, porque dizer adeus sempre foi e sempre será, uma merda!
E mesmo que muitas vezes eu tenha tentado escrever a melhor despedida e saber o local exato onde por o ponto final, não funciona assim. Adeus dói. E muitas vezes só dói para um dos dois. Todas as minhas despedidas, não se comparam àquelas que não tive, pois as que não tive são histórias sem finais. 
Mesmo assim ainda corro pelos aeroportos e estações da vida com braços abertos para o adeus. E nunca saio com o coração inteiro, deve ser porque vida não permite ponto final, só reticências. Infinitos de saudade e lembranças, mal terminadas, porém com eterno significado...