7 de jun de 2016

Depois do fim



Depois que anoiteceu o dia.
Depois que a canção emudeceu.
Depois que a magia feneceu.
Cessou o riso e a poesia.

Houve um silêncio profundo. 
Houve tristeza e pesar.
Ave sem asa e sem lar.
Canto perdido no mundo.

Depois que o amor se desfez,
Jaz a promessa do eterno
No frágil fio da lembrança. 

Um salto do céu ao inferno, 
O fim de toda esperança 
Na fé do "era uma vez".


Juliana Lira

5 de jun de 2016

E vamos dando adeus aos poucos pra que a dor não nos devaste



Já dizia um velho amigo, bardo e cretino: toda história para ser completa tem que ter um final. O nosso chegou em um domingo a tarde.
Lembro da sensação de perder o chão e do vazio que me acompanhou. Você partiu e eu fiquei na estação da vida esperando o trem voltar. Você voltar...
Poderia caber numa caixa os momentos que tivemos juntos. Não, não foi uma vida com abraços voltando do trabalho ou sexo no chuveiro escondido das crianças. 
Não tivemos os cafés da manhã na cama aos domingos, as risadas no sofá vendo toda leva de filmes da Marvel, nem nossas mãos unidas em qualquer lugar... 
Longe de tudo isso nossa história acabou com quilômetros e quilômetros de distância entre nós. Com lágrimas e livros e livros de tentativas frustradas de impedir que um ponto final engolisse nossas reticências.  
Como disse o Pessoa: "É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos"
Agora eu estou saindo da estação e aceitando que você não vai voltar. Mais que isso: aceitando que eu também devo partir.
Eu nem sei como será sem você, me habituei a te ter nos pensamentos desde o momento em que abro os olhos pela manhã, até o momento em que os torno a fechar a noite.
Sabe? Nossa história pode não ter sido um livro infinito, mas foi o conto mais lindo que alguém sonhou.
Você era minha casa. O meu lugar seguro do frio, o dono do meu coração e da melhor e pior parte de mim. 
E agora? Bom, talvez eu vire uma "pessoa normal". Dessas que não vive, meramente existe.
Qualquer coisa pode acontecer... 
Exceto eu voltar pra casa.
Exceto voltar pra você.







3 de jun de 2016

"Tenta não se acostumar eu volto já, me espera"



Amarra uma corda na Lua, segura ela no firmamento. Abraça os versos antes que escapem e o vento os leve até o litoral. 
É a força da gravidade. Eu sinto. 
Eu tento. Mas as gavetas se abrem e as fotografias caem aos montes, imagens de mãos e toques. Perfume e voz. 
Volta, volta para o lugar guardado. Fecha com chave, corrente e cadeado.
Tranca no lugar mais remoto e põe algo pesado por cima. 
É a gravidade... Sons invadem as lembranças, "nem no céu, nem no mar..."
A música rompe a barreira do silêncio quebrando cadeados e correntes. 
Enquanto se ouvir... Enquanto se ouvir...

É o universo brincando de impossíveis.