7 de dez de 2016

Os porquês...


A resposta segue atrasada para o nada, mas foram esses:
Porque algumas ausências preenchem todos os espaços e as vezes choramos baixinho, escondidos do resto do mundo.
Porque as estradas mudam, as paisagens se transformam, mas as lembranças ficam intactas, protegidas da erosão do tempo.
Porque eu precisava saber da gravidade. Como ela opera sua força, se ela ainda se mantém.
Porque algumas coisas são verdadeiras, algumas coisas são puras e sinceras, mas em apenas um coração.
Mesmo que as vezes só sejamos usados para consertar confianças quebradas e provar teorias e palavras empenhadas.
Porque algumas vezes nos tornamos tão duros quanto dissemos que nunca seríamos. E não é por escolha ou por não tentar, é que precisamos ser fortes para não quebrar. Para não desistir de nós quando todos a nossa volta desistem.
Por isso procuramos. É por isso que entramos em contato. Pra matar a última esperança e a última gota de ilusão.
Só assim, morrendo, podemos renascer das cinzas e seguir, seja lá pra onde for.

5 de dez de 2016

Apenas pare a dor

Querido Deus,

Já faz um tempo, eu sei...
Sei que, para alguns, é fácil partir sem olhar pra trás. É tão fácil dizer: “sempre vou querer seu bem.” Do jeito estranho, como se falasse pra um colega distante e fechar a porta depois com um adeus. É simples. Fácil.
Já nem sei se compensa toda essa dor, a frieza é a coisa mais estranha do universo. O Senhor não acha?
Dói...
Poderia só parar de doer.
Por que eu também não posso esquecer, Deus? É injusto! Eu preciso muito esquecer. Por favor... Apenas, apague tudo isso, porque eu sou apenas pó de estrela no mundo errado. E que culpa tenho eu de existir no mundo errado? Sei que eu nem devia existir. Esse é o erro. Eu sou o erro. Mas não é culpa minha. (Não tô dizendo que é sua, eu apenas brotei no mundo feito erva daninha).
O Senhor amaria mais umas pessoas que outras? Me recuso a acreditar nisso. Mesmo eu, essa pessoa estranha, toda doidinha e errada, o Senhor amaria também? Não, é? Se sim, faça ser simples pra mim também, o Bater portas, o dizer adeus.
O gelo corta mais que o aço. Mas as pessoas não se importam em cortar meu coração desde que estejam a salvo.

Então, Deus, Apague tudo isso. Faça parar. Faça parar. Apenas pare a dor.

E sofre, e chora...

 
No silêncio do quarto grita a alma.
E o coração sangra bravamente.
Só Deus perdoa e entende o que se sente.
Desfaz-se em água a falsa calma.

Quisera das lembranças ter se livrado
E o arrancado de si pedaço por pedaço.
Não cortaria o gelo mais que o aço?
Semeia sofrimento quem do amor faz arado.

Oh, incompreendida, insana trama!
Que muda embala as horas de cada dia.
Quem se importaria com tanta dor?

Sombras de sorrisos cobrem seu exterior.
Enquanto no escuro sucumbe a agonia,
E sofre, e chora, por amar quem ama.



Do que nunca há de se saber


Hoje ela chorou. É sempre difícil aceitar o luto. Um ponto final... Ela sabe que teve mais do que muitas pessoas.  Até mesmo uma despedida digna, um abraço tão forte que parou o tempo. E a sua voz uma última vez, dizendo que queria ficar, mas... Tanto cabe nesse “mas”, cabe tantos sonhos, comprometimento e felicidade alheia.
Ela sabe que não nasceram nessa vida pra dividir o mesmo oxigênio, ainda assim... Como é triste a completa indiferença. Lembro de um professor de Saúde Mental que dizia isso, que do amor não é o ódio seu oposto e sim a indiferença.  Esse mundo tão perfeito e tão coerente não foi feito para pessoas como ela. Porque saber, entender, não é suficiente para deixar de sentir.
Ela sabe que ele deve culpa-la, sempre é mais fácil culpar o outro. Culpa-la por existir, culpa-la por não ter partido antes, porque ela é uma pessoa horrorosa, desprezível, insignificante no planeta. Culpa-la por ela ainda ama-lo. Como se de alguma forma mirabolante ela tivesse criado toda a situação. Ela se lembra bem de quando ele a acusou agressivamente de ter intenções de prejudicar sua vida. Atrapalhar. Causar dano.
Ela sabe! O que ela não sabe, o que ela nunca vai saber, é se tudo foi só estória. Um emaranhado de contos desses que contamos para as crianças antes de dormir. Talvez... Talvez ele nunca a tenha amado. Nunca! E por isso tudo foi mais fácil do outro lado. É... talvez ele esteja certo. E ela tenha criado toda situação e tudo não passou de um conto criado por uma sonhadora. Uma ilusão.

Doce sonhadora, aceite... Aceite a morte da estrela, aceite secar o Mar, aceite que você sonhou tudo, você, só você. E tente ser feliz. Porque você nunca vai saber. Mas no fundo você sabe que ele nunca a amou.