21 de out de 2018

A arte de ser


Nada de novo se faz, tudo é uma repetição de errôneas escolhas. Outrora, o mundo era pintado em tons de preto e branco. Aquarela fez-se, em canto,  poesia, arte e beleza. No meio de névoas tenebrosas a beleza nasceu. 
Se esse é o momento em que fecharemos os olhos à nuvem tempestuosa que se aproxima, se esse é o momento em que daremos o nosso último suspiro, outros virão depois de nós. Quando um lápis repousa no canto do papel em um lugar, outras mãos pegam suas penas e alçam voo. 
Enquanto houver uma alma vivente, há de haver um sonho, uma fagulha de esperança. Pó de estrela que somos encontraremos uma forma de voltar a brilhar. Não desistiremos de ser.

17 de out de 2018

Meu pesadelo

"And I don't know where to look
My words just break and melt
Please just save me from this darkness" Snow Patrol

Sonhei que as pessoas estavam cegas de ódio e rancor. Elas espalhavam o caos e o medo e criavam o mal estar social, sobre o qual Freud falou.
Palavras de ordem eram gritadas pelos 4 cantos do mundo, um rio de águas turvas se espalhava por toda parte e os sonhos morriam nas margens.
Cegos se acotovelam e eram guiados por um cego com voz mais forte e audível pra beira do precipício. Pessoas se transformavam em animais selvagens, conforme passava o tempo e se matavam.
Sonhei que o sol escureceu e a noite não tinha lua, ou estrelas. Os poucos que enxergavam não sabiam o que fazer e eram fortemente atacados pelos cegos, que achavam que os cegos eram os demais. A tristeza pairava no ar e a desesperança.
Patinhos nadavam pacientemente alheio ao caos, não obstante, aves de rapina espreitavam aguardando o momento de arrancar os olhos daqueles que podiam ver. Lendas eram contadas na tentativa de se explicar o feitiço que convertera seres humanos em selvagens, cegos ou perdidos. Mas a verdade, essa estava perdida em algum lugar... E não importava mais, porque nesse pesadelo que tive, não havia nenhum mocinho ou herói capaz de nos tirar do mais escuro e denso breu...


15 de set de 2018

Ela se foi...


Cintilava nas nuvens de poesia
Entre o charco, era flor que resistia
Do mundo de sonhos, a nobre princesa,
Calçava nos versos sua nobreza.

Na sombra das palavras repousava
E no poço da escrita se saciava.
Nas asas do vento a canção
Dos muitos labirintos de seu coração.

Era música e poesia.
Era a raridade, o encanto, a fantasia,
De tudo que é belo e bom.
De tudo que é nobre e eterno.

Era. Mas prendeu-se suas asas
Fechou-se em silêncio e breu
Secou o riso, o som, o pranto.
Ela se foi... Junto com seu canto.


28 de jun de 2018

Que tudo chega ao fim



Brota uma nova flor. Cálida traz vida a Terra, emana esperança. 
Outrora milhares de rosas suntuosas exalavam calor seguindo os ritos da existência.
Quem dera pausassemos o tempo nessa dança do infinito,
Contudo, fenece o viço. Fenece o existir...
Numa renovação infindável dos dias.  
Numa saudosa dança de encontros.


4 de jun de 2018

Se vale a pena




A jornada é difícil. Muitas vezes me pergunto se vale a pena. É um mundo injusto de pessoas injustas. A existência é breve, muitas vezes interrompida de forma cruel.
O que nos faz continuar em um mundo de Temers, em um mundo de cegos apontando o caminho a seguir? O que nos mantêm de pé quando tudo ao nosso redor desmorona?
Eu espero que Deus esteja logo ali, nos esperando para nos explicar. Porque não há filosofia ou teologia suficientemente boa que acalme nossos corações tumultuados.
No fim vai ver que vida é só isso: continuar caminhando, apesar das más condições da estrada, dos maus companheiros de viagem, das paradas de baixa qualidade, de não sabermos sequer para onde a estrada irá nos levar, mas, algumas raras vezes, até que a paisagem vale a pena.